Um Cérebro Apaixonado


O que nos faz amar uma pessoa? Quais são as mudanças cerebrais que acontecem quando nós amamos alguém? Eu gostei muito das notícias que li sobre, já tinha lido algumas dessas informações, mas tentei aprofundar um pouco mais para fazer esse post. Esse vídeo que postei é  uma palestra do trabalho da neurocientista Helen Fisher sobre o Amor Romântico. Ela é bem reconhecida e tem livro e todo sobre esse sentimento tão nobre do ser humano. A primeira informação que eu tenho a falar sobre o amor já está dita nesse vídeo de 10 minutos de duração e se chama motivação. O amor é um grande estado de recompensa, de vício, de motivação. O mesmo sistema que é ativado quando usamos drogas, quando comemos algo delicioso, quando fazemos sexo ou praticamos qualquer outra coisa que nos faça bem é ativado no caso do amor. Dessa forma o amor, assim como todas essas outras coisas, tem o comum o fato de ser viciante, o fato de aumentar muito a descarga dopaminérgica da área tegmentar ventral sobre o núcleo acumbente e outras regiões, o fato de aumentar também o retorno positivo ou feedback fazendo com a pessoa sempre busque mais e mais esse vício. Caso queiram saber mais sobre os mecanismos neurofisiológicos do sistema de recompensa, recomendo a compra de algum livro específico sobre (sexo, drogas, rock’nRoll e chocolate de SHH).

Outros experimentos foram feitos para saber áreas que se ativavam no cérebro em uma situação de amor. Mulheres apaixonadas foram submetidas a um teste em que analisavam uma pessoa qualquer em uma foto e analisavam a foto de seu amado. Quando olhavam a foto da pessoa amada, algumas áreas do córtex ativas/inativas diferenciavam-se  de quando elas viam a foto de uma pessoa comum.

Como mostrado na foto acima, duas áreas nitidamente mostraram-se com um fluxo sanguíneo muito baixo. Essas áreas são a amígdala e o córtex pré-frontal. A amígdala é uma região muito importante para as sensações negativas de medo, raiva. O córtex pré-frontal é uma área muito responsável por juizo moral, convenções sociais, regras, comportamento executivo. É muito interessante notar que no amor essas duas regiões estão praticamente inativadas. Isso pode explicar o porque perdemos o medo quando estamos perto de outra pessoa ou então o porque fazemos muitas atitudes inconsequentes.. ou seja, o porque ficamos bobos de amor, o porque o amor é cego! Outros experimentos que mostram imagem de pessoas super bonitas para pessoas apaixonadas, mostra que há, de fato, uma rejeição da figura pelo nosso cérebro. Essa rejeição ocorre, veja só, quatro vezes mais fortes em homens do que mulheres. De alguma forma, talvez a monogamia fosse em algum ponto bom evolutivamente, permitindo que a cria tenha mais condições de sobrevivência com o apoio paterno. Outra coisa que eles observaram é que não há alteração da observação da imagem no córtex visual (seja vendo seu amor ou vendo uma pessoa comum), o que indica que ele transmite as informações de forma objetiva para outras regiões do córtex.

Outra coisa notada na experiência foi a ativação alta do caudado e putamên que estaria relacionado ao ato erótico no amor romântico, ato que seria coordenado pelo hipotálamo em caso onde não houvesse amor e sim puramente instinto. Isso foi validado ao ver a baixa atividade do hipotálamo nas técnicas de neuroimagem. Além disso, áreas diferentes do sistema límbico se ativavam no amor romântico que eram diferentes de áreas ativadas no caso de amor materno por exemplo. Isso valida o fato de que há graus de ‘especializações’ de amor no nosso cérebro. O cingulado anterior também foi bastante ativado e acredita ser essa área a grande responsável por reconhecer os nossos próprios sentimentos e os do nosso parceiro.

Outra área não surpreendentemente ativa, foi o córtex da ínsula. É nessa região que existem (como muitas outras) os neurônios espelhos. É essa área que é a base da empatia, que permite nos colocar no lugar dos outros, de sofrer o que os outros sofrem. Além disso essa região parece receber aferências do trato gastrointestinal o que gera a percepção de “frio na barriga”.

E possível emagrecer, ficar “doente de amor”? Como escolhemos quem apaixonamos? A noradrenalina secretadas pelo sistema visceral somático (SNA) e a adrenalina/nora pela adrenal são altamente anorexigênicas, por isso os remédios para reduzir o apetite são a base de anfetaminas. Além disso, o amor ao ser percebido como um estresse, também eleva os níveis de cortisol que tem efeitos anti-imunes. Com isso seu sistema de defesa fica mais fraco o que o torna mais propenso à infecções. Isso sem contar os efeitos cerebrais dele de memória e excitação (comentados no post de estresse). Ainda não se sabe porque uma pessoa ama ou não outra, mas se acredita que seja algo genético que pode sim ter influências culturais/ambientais. É como sempre se diz: o cérebro é o ponto de partida do que vamos ser ou deixar de ser. Um estudo brasileiro propos a mulheres que cheirassem camisas de homem suadas. Elas deveriam escolher o cheiro que mais lhes atraiam. Surpreendentemente, elas escolhiam o cheiro do homem que mais tinha diferença em termos de DNA, ou seja, o homem com menos homologia. Se pensarmos em termos evolutivos, isso é de grande importância pois aumenta muito a variabilidade genética.

Não surpreende que centros cerebrais tão pequenos provoquem uma sensação tão poderosa e inspiradora como o amor? Estudos anatômicos mostraram que os pequenos módulos do amor estão ligados a quase todas as regiões do cérebro. Ao que parece, no entanto, essas ligações são utilizadas de modo diverso por cada um de nós. É o que torna o amor único!

Uma emoção tão complexa como o amor não exige apenas uma atividade cerebral única, mas também um equilíbrio sutil entre regiões ativadas e desativadas. Em nossos experimentos, descobrimos várias áreas desativadas, principalmente na metade direita do cérebro: todas estavam associadas a sensações negativas. Partes da amígdala, por exemplo, que é estimulada em situações de tristeza, medo e agressão. Aparentemente, sensações amorosas conseguem subjugar essas regiões cerebrais. Como pesquisadores do cérebro, podemos afirmar que o amor não traz apenas felicidade, mas também nos torna corajosos e dóceis. Em nossos voluntários, aliás, o lobo frontal anterior direito estava praticamente desativado, sendo muito ativo no caso de pessoas depressivas ou tristes. Terapias em que a atividade dessa região é amortecida com fortes pulsos magnéticos estão beneficiando pessoas com depressão profunda. Em muitos casos, o amor seria uma ótima opção de tratamento, mas infelizmente ele não é prescrito sob encomenda.

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